quarta-feira, 31 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
E de repente, o ar gelou, tornou-se difícil respirar, quase impossível. Nada do que estava a acontecer lhe parecia real. Ela estava no chão e não conseguia encontrar forças no seu corpo para se pôr de pé. Depois de várias tentativas decidiu resignar-se, e deitou-se por completo no chão frio. Ela sabia que o chão estava gelado, mas assim estava também o corpo dela e por isso não lhe fez diferença. Doía-lhe o corpo todo, sentia-se como se tivesse acabado de ser espancada cruel e ferozmente. E contudo, ninguém lhe tinha tocado. Se um médico a observasse naquele estado, diria prontamente que ela não tinha lesões, nem externas nem internas. As lesões dela, só ela as sentia. A cabeça pesada e de uma dor extenuante, o coração a sangrar com uma agonia tal que ela sentia que ia morrer ali mesmo. As mãos tremiam, as pernas e os braços não tinham força e eram incapazes de qualquer movimento. As lágrimas escorriam-lhe pelo rosto, salgadas, quentes, agudas. A dor era tão grande que se sobrepunha aos sentidos. Ela não via, não ouvia, não sentia nada mais do que aquele peso sufocante no corpo todo. Ela desejou morrer, desaparecer, terminar com todo aquele festival de sofrimento. E por fim, antes de adormecer exausta no chão gelado de pedra, perguntou-se se seria possível morrer de amor..
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
e depois tu agarras a minha mão com tal força que o gelo da tua me alcança os ossos, e entre o frio dos nossos corações sussurras-me ao ouvido que há uma luz que nunca se apaga. e apesar da tua voz ser quase imperceptível devido ao ruído dos comboios lá de fora, eu sinto cada uma das tuas palavras como alfinetes a enterrarem-se-me na pele. e sinto uma dor aguda, mas que me sabe tão bem..
terça-feira, 9 de agosto de 2011
letters
Sempre gostei de cartas escritas à mão. Há uma magia associada ao toque áspero do papel, ao cheiro a perfume que fica na folha. Ao ler palavras escritas à mão, conseguimos imaginar o estado em que a outra pessoa as escreveu. O nervosismo presente em letras tremidas, as lágrimas que roubaram a nitidez das palavras, o papel muitas vezes com vincos de impaciência. E com o tempo, o tom amarelado que começa a surgir que lhe confere antiguidade. Cartas assim, encurtam distâncias, juntam corações que o espaço separa, sugerem uma grande intimidade e proximidade que outros meios não permitem. O mais importante nem passa pelo conteúdo das palavras escritas no papel, mas sim pelo facto de terem sido mesmo escritas, pela mão da outra pessoa, que dedicou tempo e cuidado a escrevê-las. E só quem as escreve e quem as lê, é que conhece a inigualável sensação de abrir o envelope cuidadosamente selado, de desdobrar a carta e de submergir naquele oceano de palavras que alguém nos dedicou. Nesses breves minutos, com o papel na mão, a voz do remetente parece ler-nos ao ouvido as palavras escritas, uma a uma, sussurrando. E o perfume que a folha de papel liberta, enche-nos os pulmões. E por momentos, a mão da outra pessoa segura o papel por cima da nossa, e está ali. Tão perto, por mais longe que esteja. Não há oceanos, nem estradas, nem horas, que separem duas pessoas que tocam tão cuidadosamente o mesmo papel. É essa a magia das cartas escritas à mão, naquele momento sagrado em que as escrevemos, ou em que as lemos, em que as palavras nos tocam e a pessoa que está a quilómetros de distância fica de repente tão próxima.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
"People think they know you. They think they know how you’re handling a situation. But the truth is no one knows. No one knows what happens after you leave them, when you’re lying in bed or sitting over your breakfast alone and all you want to do is cry or scream. They don’t know what’s going on inside your head — the mind-numbing cocktail of anger and sadness and guilt. This isn’t their fault. They just don’t know. And so they pretend and they say you’re doing great when you’re really not. And this makes everyone feel better. Everybody but you."
terça-feira, 2 de agosto de 2011
"Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é que é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém joga com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não esperes que te devolvam algo, não esperes que reconheçam teu esforço, que entendam teu amor. Encerra ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por egoísmo, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na tua vida. Fecha a porta, muda o disco, limpa a casa, sacode a poeira. Deixa de ser quem eras, e transforma-te em quem és."
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