quarta-feira, 25 de agosto de 2010

estrada


Na minha cabeça a vida é uma estrada. Irregular, com buracos no chão e cheia de atalhos e pequenas estradas secundárias. E somos nós que decidimos, com as nossas escolhas, como a iremos percorrer. Escolhas essas que fazemos todos os dias, consciente ou inconscientemente. Pois temos liberdade para o fazer. Decidimos andar para a frente e descobrir novos caminhos, novas oportunidades, mais vida ou, voltar atrás e percorrer de novo o mesmo chão, desta vez com mais facilidade e sem medos pois já conhecemos onde se encontram os buracos do solo. Escolhemos também a forma como fazemos a nossa caminhada pela vida, uns preferem a estrada principal, mais longa e desafiadora, enquanto outros preferem tomar atalhos que a curto prazo oferecem mais tempo e menos desafio. Por entre tantos caminhantes, há os que preferem caminhar sozinhos, desprendidos do que acontece à sua volta, da paisagem, dos que ao seu lado caminham, dos sentimentos e concentrando-se apenas em si e na sua viagem, cautelosamente evitando todos os buracos e pedras do caminho. Outros, preferem caminhar calmamente, observando a paisagem, decifrando trilhos e fazendo companhias diversas ao longo do percurso, sempre sem pressas. E por fim, existe um grupo raro de caminhantes a quem o caminho não importa, sendo para eles a estrada apenas um pormenor. Para esses, o importante é a companhia. E desde que essa seja a escolhida, então andam à deriva. Tão depressa caminham com passos triunfantes para a frente, como rastejam de novo para o ínicio da estrada e voltam a caminhar por cima dos mesmos passos. Caem nos buracos, uma e outra vez, tropeçam, levantam-se e voltam a cair. Mas nunca param de caminhar, porque para esses, existe um sentido, existe uma razão que os faz nunca parar. Com os pés na terra e a cabeça nas nuvens, vão percorrendo a estrada, a vida.
Cabe a cada um decidir que tipo de caminhante quer ser, porque quanto à estrada é igual para todos. Podem uns ir para a frente e outros para trás, usar atalhos ou seguir o grande trilho, sozinhos ou acompanhados. Mas nenhum de nós pode caminhar sem pisar o chão. E não importa qual o nosso destino, qual o nosso grande objectivo na vida, o importante é aproveitar a caminhada, a viagem. No fim de contas, todos querem é ser felizes. E como alguém um dia disse sabiamente "A felicidade não é o destino, é o caminho."
em sintonia com Mafalda Veiga - Estrada

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