Querido óscar,
hoje sonhei contigo. digo sonhei, mas foi mais uma lembrança. estávamos naquele nosso paraíso, no telhado da casa das janelas verdes. o céu estava tão bonito, tal e qual como da última vez que lá estivemos. lembras-te? uma noite de lua cheia, linda, e o céu um manto de azul escuro repleto de pontos de luz. era uma noite de verão, era sempre. e o silêncio só era interrompido pelo som das cigarras e pelas nossas palavras. de vez em quando uma brisa de vento mais forte fazia abanar os pinheiros à volta, mas nada mais.. aquele era e ainda é o sítio mais tranquilo que conheço. sem prédios, rodeado de pinheiros e com cheiro a mar. não há sensação mais maravilhosa que acordar com o chilrear dos belos pássaros que se empoleiram nos pinheiros da rua, beber uma chávena de café à janela, de frente para a natureza e absorver toda aquela beleza. e à noite, o silêncio, a tranquilidade, a leveza.. como eu adorava essas noites de verão.. principalmente quando nos escapulíamos de noite até ao telhado para ver as estrelas. duas almofadas, uma manta, bolo de iogurte e os teus cigarros. era sempre assim. conversávamos em sussurro e abafávamos as gargalhadas nas almofadas para não acordar ninguém. tu tentavas ensinar-me os nomes das constelações e as figuras que elas faziam, mas eu baralhava tudo e tu rias-te. tantas vezes que tentámos contar as estrelas, mas perdíamo-nos em conversas e quando dávamos por isso já elas estavam a desaparecer e o sol a nascer. tu és como a noite sabes? sombrio, misterioso, frio.. mas com pequenos pontos de luz. demasiado belo para ser entendido. a paixão com que me falavas das estrelas, da lua, do universo... fez com que também eu me apaixonasse por elas. e a frase que me repetias ainda está pendurada em cima da minha cama. entendi a sua beleza e todas as noites me deixo maravilhar por ela. mas aqui não é a mesma coisa, o céu parece mais longe da minha janela. quero voltar para o nosso paraíso na casa das janelas verdes, onde à noite deitados no telhado se estendermos o braço, eu quase juro que podemos tocar nas estrelas. mas já não falta muito óscar..
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