segunda-feira, 23 de julho de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

e a casa estava tal e qual antes, a mobília, os biblôs nas prateleiras, as fotografias..o cheiro permanecia o mesmo também. mas o pó que pairava pelas superfícies e pelo ar, as cadeiras arrumadas, o frasco das bolachas vazio...eram os sinais de uma casa desabitada. faltavas lá tu. faltava lá ele. faltava o calor tão familiar, faltava o amor. as vozes, o barulho, os sorrisos, os abraços e mil beijos. é um vazio. não há recordações que o preencham, não há memórias de dias felizes que o tornem menos frio. e a cada dia o vazio só fica maior. e às vezes tão pesado... como se pode continuar a viver, quando partes de nós morreram? para sempre um puzzle incompleto, uma casa vazia.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Oh Tom

Roses are red, violets are blue... Fuck you, whore! 

All those summer nights we spent on the roof top

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Querido óscar,
hoje sonhei contigo. digo sonhei, mas foi mais uma lembrança. estávamos naquele nosso paraíso, no telhado da casa das janelas verdes. o céu estava tão bonito, tal e qual como da última vez que lá estivemos. lembras-te? uma noite de lua cheia, linda, e o céu um manto de azul escuro repleto de pontos de luz. era uma noite de verão, era sempre. e o silêncio só era interrompido pelo som das cigarras e pelas nossas palavras. de vez em quando uma brisa de vento mais forte fazia abanar os pinheiros à volta, mas nada mais.. aquele era e ainda é o sítio mais tranquilo que conheço. sem prédios, rodeado de pinheiros e com cheiro a mar. não há sensação mais maravilhosa que acordar com o chilrear dos belos pássaros que se empoleiram nos pinheiros da rua, beber uma chávena de café à janela, de frente para a natureza e absorver toda aquela beleza. e à noite, o silêncio, a tranquilidade, a leveza.. como eu adorava essas noites de verão.. principalmente quando nos escapulíamos de noite até ao telhado para ver as estrelas. duas almofadas, uma manta, bolo de iogurte e os teus cigarros. era sempre assim. conversávamos em sussurro e abafávamos as gargalhadas nas almofadas para não acordar ninguém. tu tentavas ensinar-me os nomes das constelações e as figuras que elas faziam, mas eu baralhava tudo e tu rias-te. tantas vezes que tentámos contar as estrelas, mas perdíamo-nos em conversas e quando dávamos por isso já elas estavam a desaparecer e o sol a nascer. tu és como a noite sabes? sombrio, misterioso, frio.. mas com pequenos pontos de luz. demasiado belo para ser entendido. a paixão com que me falavas das estrelas, da lua, do universo... fez com que também eu me apaixonasse por elas. e a frase que me repetias ainda está pendurada em cima da minha cama. entendi a sua beleza e todas as noites me deixo maravilhar por ela. mas aqui não é a mesma coisa, o céu parece mais longe da minha janela. quero voltar para o nosso paraíso na casa das janelas verdes, onde à noite deitados no telhado se estendermos o braço, eu quase juro que podemos tocar nas estrelas. mas já não falta muito óscar..

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

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cada vez tenho sonhos mais estranhos

The saddest people I've ever met in life are the ones who don't care deeply about anything at all.

somos feitos de paixões. pequenas coisas que tornam a nossa existência um pouco menos miserável e triste. agarramo-nos a isso para que por breves momentos possamos escapar à realidade que nos deprime e oprime. pequenos prazeres, vícios, que nos consolam o corpo e a alma.. uma chávena de café muito quente e amargo sem açúcar. livros, livros e mais livros; antigos, com páginas amarelas e gastas pelo tempo, poesia, realidade, ficção, clássicos...livros. o oceano, o mar, o rio, uma piscina, não importa, nadar, nadar é que importa; mergulhar para a profundidade, deixar o mundo fora da água. a beleza da lua, todas as noites, as estrelas, a luz que trazem para a escuridão. a música, compreende, as palavras, as guitarras, os pianos..oh os pianos como são belos. as pessoas bonitas, por dentro, que são diferentes e raras, e sombrias e sozinhas, frias e frágeis. as lágrimas, e os sorrisos; os sentimentos que não se escondem. e os elefantes, tão mais humanos que nós, tão mais verdadeiros. os duches de água gelada no verão, a escaldar no inverno, a água a limpar o corpo, mas principalmente a alma, os pensamentos, a tristeza. abraços fortes, não são precisas palavras. pele contra pele, deitados, despidos, o sangue a pulsar nas veias, como se fossem as minhas. a fragilidade do ser-humano, fascinante, tão fácil de quebrar, de destruir, de danificar; uma eternidade para sarar, para curar. os detalhes das pessoas e das coisas. a fotografia, os sítios, as viagens, as caminhadas. a chuva, que lava as ruas e as almas, leva consigo a dor do dia, bate nas janelas durante a noite. o amor, por mim, pelos poucos que me tocam a alma, e pelas minhas paixões.

A praia estava deserta, o frio afugenta sempre as pessoas deste lugar no Inverno. O frio, o vento que parece puxar cabelos e arranhar-nos o rosto, o mar violento e agitado, gelado, o barulho das ondas a bater contra as rochas como quem grita a sua fúria a plenos pulmões. Nestes dias a praia está sempre deserta, um turista curioso de vez em quando, um desportista a fazer a sua corrida matinal, por vezes um casal de namorados...Mas hoje ninguém. Sentei-me no sítio do costume, na areia junto às rochas, e deixei-me envolver naquele cenário que tinha tanto de sombrio como de magnífico. Os locais mais bonitos estão sempre desertos em dias assim, são raras as pessoas que sabem ver a beleza nos cenários mais escuros e violentos. E eu não podia sentir-me melhor aqui. A paz que se apodera de mim no meio deste caos. O barulho do mar, o cheiro, a areia fria a escorrer-me dos dedos.. é um refúgio.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

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tu confundiste o nome dele com a lua
confundiste as luzes do alpendre com as estrelas
e ás vezes é o que elas são
as suas constelações guiam-me a casa
dez mil sombras expostas
e se há uma coisa neste mundo
que eu nunca soube foi que este rapaz
me vai destruir como um pequeno insecto,
deixar-me tão desfeita que haverá
sacos para corpos debaixo dos meus olhos
das noites que tanto chorei que as estrelas morreram
ma eu continuou "vai em frente, sou toda tua"
eu beijava-te no meio do oceano
durante uma incrivelmente negra trovoada
porque eu prefiro ser deixada à morte
do que ficar a pensar a que é que soa um trovão

31 de outubro


beau-tiful:

this is my favourite .gif on tumblr
Hoje o meu corpo mais do que nunca chama pelo teu. O frio que entra pela janela e me arrepia até à espinha, traz-me à memória o calor dos dias que passávamos entre as paredes desta casa. Um remédio para a alma que nos aquecia o coração e nos preenchia com o mais caloroso dos sentimentos. Hoje tenho a alma gelada, e o frio que me alcança até aos ossos, não te trouxe com ele. E enquanto chamo por ti em silêncio, o mar lá fora da janela grita furiosamente como quem diz que tu não vais voltar. Mas o meu corpo continua a chamar por ti, e espera com uma fervorosa esperança que o teu entre pela porta desta velha casa e mate comigo o Inverno que para nós só existe fora destas paredes.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

You're my angel now, you both are

"I'd ask you about love, you'd probably quote me a sonnet. But you've never looked at a woman and been totally vulnerable. Known someone that could level you with her eyes, feeling like God put an angel on earth just for you. Who could rescue you from the depths of hell. And you wouldn't know what it's like to be her angel, to have that love for her, be there forever, through anything, through cancer. And you wouldn't know about sleeping sitting up in the hospital room for two months, holding her hand, because the doctors could see in your eyes, that the terms "visiting hours" don't apply to you. You don't know about real loss, 'cause it only occurs when you've loved something more than you love yourself. And I doubt you've ever dared to love anybody that much."

There is a light that never goes out





Leva-me a sair hoje. Quero ir onde haja música e pessoas que sejam novas e com vida. Ao teu lado no carro, eu nunca nunca quero ir para casa. Porque agora já não tenho uma.. Vamos sair..eu quero ver pessoas e quero ver luzes. Ao teu lado no carro enquanto conduzes, por favor não me deixes em casa. Porque não é a minha casa, é a deles; e eu já não sou bem-vinda. E se um autocarro de dois andares colidir contra nós.. morrer ao teu lado seria uma maneira tão divina de morrer.. E se um camião de dez toneladas nos matar aos dois...bem, o prazer e o privilégio seriam meus. Leva-me a sair esta noite, leva-me para qualquer lugar..é-me indiferente, não me interessa, não quero saber. E então na passagem subterrânea tão escura eu pensei para comigo "a minha chance finalmente chegou!". Mas um estranho medo apoderou-se de mim e eu simplesmente não fui capaz de perguntar.. Leva-me a sair esta noite, leva-me para qualquer lugar. Simplesmente conduz-me no teu carro, eu não quero nunca ir para casa.. porque eu já não tenho uma. Há uma luz que nunca se apaga.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"Somos donos dos nossos actos, mas não somos donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. Podemos prometer actos, mas não podemos prometer sentimentos. Actos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"seduce my mind and you can have my body, find my soul and i'm yours forever"

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

como é que um espírito tão sombrio como o teu pode ser tão atraente?
 esses teus olhos pretos sempre embrenhados numa profunda e vazia escuridão. prendem-me de tal modo que me perco. em ti. e quando me perco em ti, neles, viajo pelo interior da tua alma, e por entre a escuridão que lá habita encontro pedaços de ti, frios como só tu. tão teus. tão meus. 
e ao meu lado, enquanto fitas o horizonte e fumas o pacientemente o teu cigarro, a minha mente vagueia por dentro de ti. é isso que faço. observo-te. leio-te os gestos, percorro a tua alma sempre demasiado enublada. 
toco-te na mão que tens livre, gelada como sempre as tens, e não digo nada. tu continuas perdido nos teus próprios pensamentos...és tão bonito. uma beleza tão singular, tão sombria, única. "even the worst things have things to love in them", ensinaste-me tu. e eu olho para ti e não consigo encontrar melhor maneira de te perceber. 
já te disse que tens olhos de pássaro? olhos e espírito. muito livre. solitário. bonito. que esse cigarro nunca acabe, que este horizonte que com tanta atenção fitas não se altere, que este dia nunca morra. e se morrer que nos leve aos dois com ele, para a escuridão de um outro mundo. mais sombrio, mais sossegado, mais como tu. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Foi numa manhã quente de Verão. Passava pouco do meio-dia e eu ainda me encontrava na cama, curiosamente a ver um programa na televisão que envolvia um funeral. A casa estava agitada, eles corriam de um lado para o outro a fazer as malas para uma viagem que estava planeada há já muito tempo. Eu como sempre deixei tudo para a última. No meio de toda essa agitação e barulho ouvi um telefone a tocar. Atenderam-no; e de repente o silêncio instalou-se de forma pesada em todas as divisões da casa. "Ela morreu??", gritaram de junto do telefone. Eu não entendi o que isso queria dizer. De repente tudo começou a acontecer em câmara lenta. Um choro frenético e profundo substituiu o silêncio, e a agitação voltou. Mas era uma agitação diferente da anterior. Os gritos que me entravam violentamente pela porta do quarto "Tenho de ir vê-la, despachem-se temos de ir!! Eu não acredito, eles enganaram-se, não é ela de certeza!", assustaram-me. Não soube o que sentir. As lágrimas escorriam-me pelo rosto, sem piedade, o meu corpo tremia. Mas o que tinha acontecido? Num segundo estava tudo bem, e no exacto segundo a seguir uma tragédia tinha acontecido. Tudo aquilo parecia irreal, uma cena tirada de um filme macabro qualquer. Saímos de casa em direcção ao hospital e tudo o resto que se seguiu continua a ser um filme que vejo e revejo na minha cabeça. Como se a um estranho pertencesse. Ainda hoje, essas imagens me assaltam e me roubam o sono. As pessoas vestidas de preto, o som do choro e do soluçar que todos partilhavam como se de uma orquestra se tratasse, as histórias que contavam sobre ti, já tantas vezes contadas, mas agora usando os pretéritos. "Ela era, ela dizia, ela fazia". As senhoras remexiam na tua roupa tentando chegar a um acordo sobre o que tu quererias levar vestido pela última vez. Discutiam sobre as flores, sobre as cinzas, sobre o cemitério. E o choro nunca parava. As pessoas abraçavam-me a mim a chorar, e falavam de ti e de como tu gostavas de mim. Primeiro era a família, depois amigos da família, vizinhos, e pessoas que eu nunca vira. Nesse dia eu não chorei. Sentia-me bloqueada, como se todas as minhas emoções tivessem sido desligadas. Passeie pela tua casa, sentei-me na tua cama, revi as tuas fotografias. Estava tudo na mesma. O quarto, a sala, a cozinha. A casa onde passei toda a minha infância, onde praticamente vivi contigo durante os três primeiros anos da minha vida, a casa onde te visitava todos os fins-de-semana..estava tudo igual. Só faltavas lá tu. As bolachas que me oferecias continuavam no jarro, o teu sofá continuava na posição onde o deixavas, e o teu lugar continuava no canto da mesa da cozinha. As tuas flores, os teus santos, os teus perfumes, o teu rádio.. estava tudo no lugar onde os deixaste. Não existiam mudanças, nada estava fora de sítio, era como se tivesses apenas saído para ir ao mercado e voltarias em breve. Por isso como era suposto eu sentir a tua morte se nada tinha mudado? Como era possível eu sentir que nunca mais te ia ver, se não tinhas levado nada contigo.. A carta que eu te escrevera, à uns anos atrás, a dizer-te o quanto gostava de ti e te admirava, continuou guardada no meio das tuas coisas. Esse dia aconteceu há pouco mais de um mês. Mas sabes ainda hoje me custa acreditar em tudo isto. Continua a parecer tão irreal como no dia em que o telefone tocou a anunciar que tinhas partido. Continuo a saber de cor a tua voz, o cheiro do teu perfume, e o toque macio e enrugado da tua pele. Continuo a saber de cor a tua cara, e os teus gestos. E todos os fins-de-semana quando entro no carro é a tua morada que me vem à cabeça. E quando passo à porta da tua casa, espero sempre que me abras a porta e eu me possa agarrar a ti aos beijos. Para mim aquela casa vai ser sempre a tua casa, e tu vais estar sempre lá à minha espera. José Saramago tinha a razão do seu lado quando afirmou que a morte é a diferença entre estar e deixar de estar. É só mesmo isso que é. Tu partiste, mas ficou tudo na mesma. A casa, a rua, as fotografias.. A única diferença é o vazio que se instala. É uma coisa violenta e profunda o vazio que uma pessoa deixa quando morre, não por fora, mas por dentro. Dentro das pessoas que a amam e que ela amou, fica um vazio que nada substitui, um vazio em que pesam todas as palavras que não foram ditas, todas os abraços que não se deram, todos os momentos que não se chegaram a viver. É um peso avassalador. Por muitas vezes que te tenha dito o quanto gostava de ti, não sei se foram suficientes. Todos os carinhos que te dei, não sei se bastaram para demonstrar o quanto te admirava. Todas as vezes que não te visitei, ou que tive pressa para ir embora, doem agora como nunca. Porque dava tudo por mais um minuto contigo, para te poder dizer que te amo, que te admiro, que eras a melhor do mundo e que morro de saudades tuas. Não sei onde estarás agora, não sei sequer se estarás, porque não sei no que acredito. Mas sei no que acreditavas, e se for como tu achavas que era, então estás bem aí e estás a ver-nos a nós que cá em baixo tanto precisamos de ti. Espalhei fotografias tuas pelo meu quarto, porque tenho medo de me esquecer da tua cara um dia. A morte se serve para alguma coisa, é para nos ensinar a dar mais valor às pessoas de quem gostamos enquanto elas ainda estão vivas; não deixando nenhuma palavra por dizer. E eu aprendi isso contigo. Às vezes ainda acordo durante a noite com o grito que anunciou a tua morte "Ela morreu??", e oiço-o como se tivesse sido ontem, com a mesma clareza e nitidez. E ainda não parece verdade, avó.

Franz Kafka

"A first sign of the beginning of understanding is the wish to die."